Quando temos pesadelos, normalmente acordamos gritando de medo e suando. Mas acordamos de alguma forma não é? Eu estou tentando acordar do meu, até agora.
Sary August Cristine, sim esse é meu nome. Tinha 16 anos, até aquele dia no norte do Canadá.
As ruas estavam coberta de neve, o que por aqui, não é grande coisa.
Eram 7:51 quando me levantei da cama. Não tinha pais, eles morreram em um acidente de carro no final de julho. A única coisa que ficou pra mim além da casa e do dinheiro, a única coisa que importava pra mim que restou foi Pip, meu labrador cor de chocolate. Ele era um boboca, mas.. era meu companheiro.
Como sempre me troquei e fui dar uma volta com ele na rua antes de ir para a escola. Mas, quando toquei na coleira, sabia que eu não voltaria tão cedo para casa, algo iria aconteçer. Mas não me deixei levar por essas emoções. Talvez estivesse imaginando coisas, ou talvez não.
Chamei Pip e fomos para rua. Felizmente coloquei minhas botas para neve, mas da mesma forma estava cansativo e dificil de andar.
Como de custume entramos no bosque para sair no parquinho do outro lado, Pip adorava brincar com os gemeos Gailard's. Mas.. tinha algo errado, as sombras das arvores estavam grandres demais, escuras demais.. frias demais. Pip percebeu o que eu estava querendo dizer, e logo começou a rosnar.
Vi um feicho de luz logo na frente e corri para lá. Peguei meu Ipod do bolso e coloquei no ultimo volume na música Bring Me to Life. Talvez ajudaria, eu disse, talvez.
Faltava uns 500 metros para chegarmos no parquinho. Minha respiração estava acelerada e Pip estava em estado de alerta. De repente Pip para e começar a latir loucamente. Ele só fazia isso quando a ameça era das grandes, e pelo visto essa era enorme. Eu travei, pensei nas minhas possibilidades, não iria deixar Pip de forma alguma, e mesmo se eu gritasse, ninguem escutaria. Me virei lentamente e dei de cara com algo que parecia um lobisomen. Pode parecer estranho mas aquela coisa era enorme maior que um homem e bem mais forte. Seu pêlo era um breu, seus olhos eram vermelhos de ódio. Não entendi o porque daquilo. Ele estava em pé, sobre duas patas, estas que eram enormes, maiores que a cabeça de Pip. Quando aquele bicho respirava eu via a fumaçinha de calor saindo de suas narinas.
Não sabia o que fazer, eu estava em desespero e Pip não parava de latir. Talvez seus latidos tenham assustado a coisa ou talvez ele só quis mostrar o que queria, e eu sabia o que era.
Ele se agachou e saiu correndo para o fundo da mata. Não demorei nada sai correndo com Pip atraz de mim para o parquinho. O sol estava brilhando ridicularmente e as crianças rindo feito babacas. Nunca pensei isso em relação a aquelas criançinhas mas, estava tão brava, como ninguem ouvia os latidos de Pip? Estavam machucando meus ouvidos mesmo com o Ipod no último volume. E como a floresta podia estar tão escura com esse sol brilhando? O que estava aconteçendo?
Não estava bem para ouvir a voz de crianças e de mães preocupadas por eu estar pálida. Fui para casa, sem pensar duas veses, e sem pensar no que poderia estar lá.
Parei em frente de casa. Ela estava quieta demais. Peguei as chaves com a mão tremendo, a rua estava muito movimentada, mas senti que mesmo se que gritasse por socorro.. ninguem escutaria.
Entrei com passos bem calculados, já Pip? Entrou feito um louco atraz do seu pote de ração. Cachorro tonto.
Tirei minhas botas e meu casaco. Tomei um banho bem rápido, não consiguia tirar os olhos da janela nem da porta. Pip teve que ficar dentro do banheiro comigo. Me troquei muito rapido tambem, com medo de fechar os olhos e quando os abrisse encontrasse alguma coisa.
Não consegui pensar na possibilidade de deixar Pip sosinho, então pedi para a Sra. Gailard's cuidar dele, ele iria se divertir com os gemeos e estaria em segurança enquando estava na escola. Peguei meu carro e saí.
As aulas passaram voando. Saí da escola era 14:47. Passei no drive trhu do BK e comprei um lanche. Fui comendo no caminho de volta pra casa. Cheguei em casa e fui pegar Pip. Felizmente ele não deu nenhum trabalho. O medo de entrar dentro de casa aumentou denovo.
Entrei cantando para afastar o medo e com Pip babando.
Fui para a cozinha para por comida para aquele cachorro tonto. Mas travei na porta. O saco de ração de Pip estava completamente destruido, parecia que foi rasgado com garras enormes. Garras que vi de manhã. Senti meu joelhos ficarem fracos e minha cor sumir do rosto. Onde estava Pip? Corri para a sala, felizmente ele estava deitado no sofá, dormindo.
Fui para a cozinha muito devagar. Mas senti que tinha alguma coisa atraz de mim. Me virei e vi um vulto passando para entrar do outro lado da cozinha. Corri para lá. Aquele monstro estava lá. Ele voltou e queria algo de mim. As lágrimas que estavam querendo sair deis de manhã rolaram pelo meu rosto, vim chorando ao mundo e vou chorando embora tambem. Aquela coisa foi se aproximando devagar. Mas com um simples movimento quebrou minhas duas pernas e quebrou 4 costelas. Dei um grito de dor. Foi tão alto que Pip acordou e teve tempo de pular no pescoço do animal e cravar seus dentes. Ele ferriu a coisa que logo começou a morrer. Mas antes arremesou Pip contra a parede que ficou deitado olhando pra mim. Ele estava vivo pois abanava o rabo, como se tivesse feito uma coisa boa. Sorri para ele. Continuei gritando até que a Sra. Gailard's entrou correndo com a policia atraz e paramédicos. Fui levada para o hospital. Minhas costelas estavam quebradas. E infelizmente perdi o movimento das pernas. Tenho uma cicatriz no pulmão e não respiro direito. Tenho crises de respiração muitas veses. Continuo sendo a Sary mas com uma cicatriz de uma garra que pega o começo do meu olho esquerdo e vai até o ombro direito. Pip não me abandona nunca, sempre esta ali comigo. Perdi toda a minha felicidade.
Vocês podem acordar do seu pesadelo gritando, eu grito todos os dias mas não consigo acordar do meu.
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